terça-feira, 29 de novembro de 2011

Avaliação Conclusiva - 1º Ano - Ensino Médio

Acredito que não preciso me justificar pela ausência (possivelmente temporária) do Gabarito que corresponde às questões de Gramática

Avaliação Conclusiva – 1º Ano – Literatura – 3º Trimestre
Professora: Alcione Lima/ Mirela Conceição

Conteúdos:
 Interpretação de texto
 Estrutura e flexão verbal
 Vozes verbais
 Romantismo: poesia
 Obra: Cadernos Negros: Os cem melhores poemas.

Texto 1

ENFIM, AS FÉRIAS


Férias, plural de féria, significava em latim os dias especiais consagrados à celebração religiosa. Féria – singular - teve em feira sua corruptela, passando a significar dia comum, como se vê nos dias da semana. Mas, a etimologia em nada revela o significado atual, pois o conceito de férias vem-se modificando através dos anos, mudando radicalmente de sentido, agora no fim da primeira década do terceiro milênio. Agora, nesta ruidosa década, significa correria, disputa por lugares em aviões e hotéis, excursões numerosas, aumento de população flutuante nas localidades turísticas, de forma desordenada, gerando, com isso, desconforto, desordem e insatisfação generalizada. Nenhum de nós é capaz de pensar em curtir dias de lazer simples, de leituras leves ou aprofundadas, ou simplesmente, descansar, pensar e rever o que fez durante o ano: refletir é proibido. Parece que no momento que abandonamos a rotina, temos medo de olhar para trás, para dentro de nós mesmos, de nos vermos sem a bengala rotineira do trabalho ou das obrigações cotidianas que balizam nossas ações durante o ano. A rotina é a muleta de apoio para enfrentarmos a vida. Muitas pessoas declaram que até mesmo suas pequenas férias semanais, o domingo, é o dia mais triste da semana.

CARVALHO, Nelly. Opinião. Jornal do Commercio. p.13. 07.01.2011.

01. Segundo a autora, na atualidade,
a) as pessoas valorizam mais as férias, relaxando mais
b) o conceito de férias tem-se modificado de forma radical.
c) poucos são os que viajam durante as suas férias.
d) férias significa época de atividades muito organizadas.
e) durante as férias, as pessoas tendem a se solidarizar com os outros.

02. Em uma das passagens do texto, a autora refere-se à atual década como sendo
a) a muleta de apoio.
b) ruidosa.
c) um momento de reflexão.
d) época de correria.
e) uma fase de atividades ordenadas.

03. Quando a autora se utilizou do trecho “Refletir é proibido”, ela quis afirmar que
a) durante as férias, de um modo geral, as pessoas param para rever o seu passado.
b) cotidianamente, a humanidade aprecia muito refletir sobre os seus gestos e suas ações.
c) não somente nas férias mas durante todo o ano, existe uma tendência humana em refletir sobre os fatos vividos.
d) as pessoas, durante as férias, atropelam seus gestos e ações e não se permitem parar para refletir sobre o seu passado.
e) à exceção de poucos, a reflexão é algo quase em desuso em qualquer época do ano.

04. Existe uma passagem do texto em que a autora se reporta à rotina como algo de grande relevância à vida humana. Sobre ela, a autora afirma que
a) é algo abominável entre as pessoas.
b) as ações rotineiras enriquecem o homem.
c) a quebra da rotina durante as férias torna os homens inseguros.
d) todo indivíduo rejeita fortemente atividades rotineiras.
e) nem sempre a rotina é benéfica à vida humana.

Observe os verbos dos itens abaixo:
I. “gerando, com isso, desconforto, desordem e insatisfação generalizada.”
II. “...significava em latim os dias especiais ...”.
III. “...no momento que abandonamos a rotina ...”.
IV. “...a etimologia em nada revela o significado atual ...”.
05. Sobre eles, assinale a alternativa que contém a justificativa CORRETA.
a) No item I, o verbo exige complemento regido de preposição.
b) No item II, o verbo exige dois complementos: um regido de preposição e o outro não.
c) No item III, o complemento do verbo abandonamos não vem regido de preposição.
d) No item IV, o verbo não exige complemento.
e) Tanto o verbo do item I como o do item IV não exigem complemento.

Texto 2
RESPONSABILIDADE DO MOTORISTA NO TRÂNSITO


O trânsito brasileiro ainda faz, todos os anos, muitas vítimas nas rodovias de todo o país. O problema é grave e requer educação e mais rigor na aplicação da lei. No último feriado, muitas pessoas morreram nas estradas; a maioria por uso de bebidas alcoólicas e excesso de velocidade.
Dom Odilo Pedro Scherer falou ao Canção Nova Notícias, recordando que “os acidentes no trânsito são, muitas vezes, causados pela bebida e, por isso mesmo, é preciso fazer de tudo para evitar que esta seja a causa dos acidentes. Evidentemente, é preciso evitar todos os outros motivos que possam causar acidentes".
Disse ainda que “é uma grave responsabilidade pegar o carro, levar pessoas e colocar em risco as suas vidas por alguma falta de cuidado, por isso, até mesmo a revisão do carro é preciso. De toda maneira, o cuidado com o álcool é importante, porque colocar em risco a própria vida e a vida de outras pessoas é sempre grave”. E recordou que “a Santa Sé, através do Pontifício Conselho Justiça e Paz, divulgou, há algum tempo, os mandamentos do trânsito, e que aqui, no Brasil, também foram divulgados.
“Observar os mandamentos no trânsito é muito importante para que nós possamos respeitar a própria vida e respeitar a vida das outras pessoas.”

SCHERER, Dom Odilo Pedro. Responsabilidade do motorista no trânsito. Disponível em: . Acesso em: 16 dez. 2010. Adaptado.

06. É uma afirmativa sem comprovação no texto a expressa em
a) A banalização da vida é a causa de muitos acidentes, já que medidas de precaução para se trafegar, com a devida segurança, nas rodovias do país nem sempre são adotadas.
b) As leis do trânsito prescindem de excesso de rigor e vigilância na sua aplicabilidade, pois ninguém quer perder sua vida nem complicar-se por causar dor aos outros.
c) O uso de bebidas alcoólicas e o excesso de velocidade são as causas mais frequentes dos óbitos registrados nas rodovias brasileiras.
d) O Brasil dispõe boa legislação para o trânsito, mas precisa objetivar meios que eduquem, de fato, os motoristas.
e) A revisão de um carro, por exemplo, constitui um cuidado com a própria vida e com a de seus semelhantes.

Observe o trecho a seguir:

“‘os acidentes no trânsito são, muitas vezes, causados pela bebida e, por isso mesmo, é preciso fazer de tudo para evitar que esta seja a causa dos acidentes. ’” (linhas de 7 a 10)

07. A análise desse fragmento da fala de Dom Odilo permite afirmar:

a) “no trânsito” e “às vezes” são circunstâncias que denotam ideias equivalentes.
b) “mesmo” é imprescindível na frase por reforçar o termo que introduz a causa do que foi afirmado antes.
c) “para evitar” é uma oração que equivale a um substantivo.
d) “que” é um conectivo oracional que introduz, no período, uma oração com valor adjetivo.
e) “dos acidentes” mantém relação sintática com o substantivo “causa”, complementando-lhe o sentido.

Texto 3

RICOS SÃO MAIS EGOÍSTAS

Pelo menos é o que concluiu um estudo feito pela universidade da Califórnia, do qual participaram 115 pessoas de várias classes sociais. Na experiência, os voluntários foram agrupados em duplas para jogar um jogo. Cada pessoa recebia 10 créditos e tinha de decidir quantos deles iria doar ao parceiro. Os voluntários ricos doaram 44% a menos do que os pobres. Segundo os psicólogos, isso supostamente acontece porque, como os indivíduos pobres enfrentam mais dificuldades no dia a dia, estão acostumados a se ajudar para sobreviver – o que seria menos frequente entre os ricos.

RICOS são mais egoístas. Superinteressante, São Paulo:
Abril, ed. 285, p.18, dez. 2010. Supernovas.


08. A respeito do fato noticiado, o provérbio que melhor se aplica ao ocorrido nesse estudo feito pela universidade da Califórnia, tanto em relação à conduta dos ricos quanto à dos pobres, é o indicado na alternativa

a) “Quanto mais rico mais ridículo.”
b) “Santo de casa não faz milagres.”
c) “O hábito é uma segunda natureza.”
d) “Quem dá aos pobres empresta a Deus.”
e) “Quem com porcos se mistura farelos come.”

09. Leia a seguinte passagem na voz passiva: “O receio é substituído pelo pavor, pelo respeito, pela emoção...” Se passarmos para a voz ativa, teremos:
a) O pavor e o respeito substituíram-se pela emoção e o receio.
b) O pavor e o receio substituem a emoção e o respeito.
c) O pavor, o respeito e a emoção são substituídos pelo receio.
d) O pavor, o respeito e a emoção substituem o receio.
e) A emoção e o receio são substituídos pelo pavor.

10. (Uerj)

Os aliados não querem romper o namoro com FHC – querem é namorar mais.
Veja, São Paulo, 18 de agosto. 1999.

A comparação entre as palavras sublinhadas anteriormente demonstra que o significado geral de “expressar ação” não é suficiente para identificar o verbo como classe gramatical, já que namoro consta do dicionário como “ato de namorar”. Para diferenciar o verbo do substantivo, por exemplo, seria necessário considerar, além do sentido de ação, a seguinte características que só os verbos possuem:

a) terminação em r
b) flexão de tempo, modo e pessoa
c) presença indispensável à frase
d) anteposição de um substantivo
e) flexão de número


Texto I
A história do Brasil está, sem dúvida, misturada à história da escravidão. Embora estudiosos de história não concordem com a data exata da chegada dos primeiros escravos, é possível dizer que nos seus quinhentos anos de existência, o Brasil tem funcionado sem escravos por menos de cento e cinquenta anos. Nos restantes trezentos e cinquenta, o país se fez à custa do suor e do sangue dos negros que chegavam às praias brasileiras, emergindo da travessia do Atlântico nos porões dos navios negreiros, nos quais só sobreviviam os mais fortes. Essa força negra de resistência física e cultural é cantada na obra Cadernos Negros. Nesse livro, além da apresentação de uma identidade negra diversa da “literatura oficial”, há também um convite a novas lutas. Isso porque os negros brasileiros continuam ocupando os lugares mais baixos na escala social, a sofrerem humilhações e discriminações diárias por serem negros e, apesar de haver, nesse país, maioria negra e mulata, os ideais de beleza continuam sendo louros, as melhores posições dentro das empresas ainda são ocupadas por brancos, e a mortalidade infantil entre a população negra é mais alta.

11. As ideias focalizadas no texto I e nos poemas de “Cadernos Negros” têm comprovação no seguinte fragmento
a) De mim
parte um canto guerreiro
um voo rasante, talvez rumo norte
caminho trilhado da cana-de-açúcar
ao trigo crescido, pingado de sangue
do corte do açoite. Suor escorrido
da briga do dia
que os ventos do sul e o tempo distante não podem ocultar. b) Eu fêmea-matriz.
Eu força-motriz.
Eu-mulher
abrigo da semente
moto-contínuo
do mundo.

c) Quem
em sã consciência
joga fora o veneno guardado no
pote da vida, sem derramar uma
gota no copo da gente
d) Hoje me falta o verso
como falta pão e farinha
Na mesa do meu irmão.
Meu estômago poético ronca
Dá nó a tripa da inspiração
Uns com tanto e outros sem saber como.
e) Parece que vai chover
e eu não musiquei
o poema em que digo: te amo!
Se vestirem de cinza nossas vidas,
eu jamais farei a tal canção.
Em tempos fechados de chuva,
só declaro amor ao Sol;


TEXTO II
FAÇA A COISA CERTA:
Filme de Spike Lee

— Vive falando que preto isso, preto aquilo, e seus favoritos são pretos.
— É diferente. Magic, Eddie, Prince não são pretos. Digo, não são negros. Quero tentar explicar. Não são negros de verdade. São mas não são muito. São mais que negros.
— É diferente?
— Pra mim é.
— No fundo, você queria ser negro.
— Que merda é essa?
(...)
— Ria o quanto quiser, mas seu cabelo é mais pixain que o meu.
(...)
— Ando ouvindo, e lendo (...) tenho lido sobre os seus líderes. Reverendo Al Sharpton Jesse, “Mantenha a Esperança” (...) E tem outro (...) Pastor Farrakhan. Esse tal de Farrakhan sempre fala de um tal dia quando os negros se insurgirão. “um dia, reinaremos na terra como em nosso passado glorioso.” Verdade? Que passado? Perdi alguma coisa?
— Criamos a civilização.
— Continua sonhando. Aí você acordou.

TEXTO III
RAÇA & CLASSE

Nossa pele teve maldição de raça
e exploração de classe
duas faces da mesma diáspora e desgraça
Nossa dor fez pacto antigo com todas as estradas do
mundo e cobre o corpo fechado e sem medo do sol
Nossa raça traz o selo dos sóis e luas dos séculos
a pele é mapa de pesadelos oceânicos
e orgulhosa moldura de cicatrizes quilombolas.
Jamu Minka

12. Considerando o texto de Cadernos Negros como comprovação do que se questiona no filme, pode-se afirmar:

a) A construção de identidade apresentada no primeiro texto está relacionada, principalmente, à cultura de massa.
b) Os textos II e III apresentam uma espécie de mito fundacional (as raízes africanas, a imigração forçada para a América) baseado na identificação de um povo original (os africanos).
c) O texto II apresenta a tese do branqueamento pela qual passaram alguns negros na história, além de revelar que certos traços étnicos também servem como comprovação das raízes africanas.
d) Tanto o filme, no trecho apresentado, quanto o poema explicitam que a história do negro não é conhecida por todos.
e) Os dois textos revelam uma postura de resistência da raça negra. O filme apresenta a dicotomia negros X brancos, seus conflitos e tensões desembocando num ato que envolve pessoas da comunidade e os responsáveis por cuidar da ordem e, no poema, os negros, nos quilombos revelavam sua negação à escravidão.

13.

MANDELA
I
Nenhum cárcere pode prender, entre paredes de pedra e musgo, a música das passeatas, a voz rebelde dos jovens, o beijo de amor das mulheres no rosto negro dos homens, a aurora do novo mundo nos bairros de lata e pólvora.
II
Não, nenhum cárcere tira dos homens os sonhos de liberdade. Os sonhos desafiam as armas, o fogo não os dilacera, os homens vertem o sangue mas seguem a luta cantando.
III
Ah, senhores, que túmulo de merda será o vosso, que vermes vos roerão na morte amarga e sonora, que alvos dragões defecarão em vossa carne. Nenhuma estupidez escraviza o negro ao branco e permanece impune.
IV
Qual cárcere pode prender o etéreo aroma da flor, o horrível rugido da fera, um róseo brilho de fogo, o carinho de uma criança nas mãos rugosas de um velho?
V
Pisa, Sul da África, a nívea pele dos oceanos de brancura, invade as ricas cidades, derruba os prédios malditos, a música da vitória acorda todos os povos, seguiremos teu exemplo de luta e dignidade.
VI
Não, nenhum cárcere detém o crepúsculo ou impede a marcha sangrenta das horas.

(BARBOSA. Márcio. Cadernos Negros: os melhores poemas/organizador Quilombhoje. São Paulo: Quilombhoje, 1998, p.100-101.)

Com base no poema ou na obra Cadernos Negros, é verdadeiro o que se afirma na seguinte alternativa:

a) O poema se divide de forma criteriosa e condizente com as normas consagradas da poesia canônica. Apesar de não haver rimas ricas, o texto segue uma metrificação.
b) Mandela e outros tantos líderes negros aparecem na coletânea como exemplos de bravura e de resistência. Há no livro, uma desconstrução da história oficial, sempre escrita pela ótica do opressor.
c) O trecho “Não, nenhum cárcere detém o crepúsculo ou impede a marcha sangrenta das horas.” mostra o interesse do poema pela luta armada. O sentido denotativo utilizado pelo poeta aparece em tal expressão.
d) O texto alude à prisão vivenciada por Mandela na África do Sul. O poema saúda o tom de revanche que se instaurou na África, após a libertação do líder. Mandela instigou nos sul-africanos um sentimento de ódio e ressentimento, uma espécie de “racismo às avessas”.
e) Buscando chegar de forma direta e convincente nos leitores, o poema usa uma linguagem simples e coloquial, acentuando assim o seu aspecto proselitista. A Poesia aparece como uma arma do oprimido contra o opressor, que será o leitor potencial do texto.


14.
PARA OUVIR E ENTENDER "ESTRELA"
(Cuti)
Se o Papai Noel
não trouxer boneca preta
neste Natal
meta-lhe o pé no saco!

Está presente no texto:

a) Uma visão irreverente sobre a comemoração do Natal. Há uma afirmação do natal como festa eminentemente branca, por isso a reação do eu poético.
b) Uma visão favorável ao caráter consumista que se faz presente nas tradicionais festas religiosas, de maneira geral.
c) Um eu lírico provavelmente afrodescendente, que se dirige, provavelmente, a um interlocutor também afro-descendente. Ele instiga uma reação à realidade discriminatória presente na sociedade.
d) Ironia em relação a um elemento pertencente ao ícone capitalista presente no texto, com a expressão “meta-lhe o pé no saco!”. Esta ironia, tira do texto o seu caráter literário.
e) A temática do racismo e da exclusão social. Estes temas norteiam toda a coletânea dos Cadernos Negros. Os autores sempre trabalham a questão racial de forma ostensivamente radical.

15.

“Teu romantismo bebo, ó minha lua,
A teus raios divinos me abandono,
Torno-me vaporoso... e só de ver-te
Eu sinto os lábios meus se abrir de sono.”

Neste excerto, o eu lírico parece aderir com intensidade aos temas de que fala, mas revela, de imediato, desinteresse e tédio. Essa atitude do eu lírico manifesta a:
a) ironia romântica
b) tendência romântica
c) melancolia romântica
d) aversão dos românticos à natureza
e) fuga romântica para o sonho

16.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,

É pela virgem que sonhei...que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

(Álvares de Azevedo)

A característica do Romantismo mais evidente nesta quadra é:
a) o espiritualismo
b) o pessimismo
c) a idealização da mulher
d) o confessionalismo
e) a presença do sonho

Leia o poema a seguir para responder à questão 17.
Pálida, à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! Na escuma fria
Pela maré das águas embaladas!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!”

17. No poema do exercício anterior, observamos que a mulher aparece frequentemente na poesia de Álvares de Azevedo como figura:
a) Sensual
b) Concreta
c) Próxima
d) Natural
e) inacessível

18. Marque a alternativa que não caracteriza a estética romântica:
a) Subjetivismo
b) Primado do sentimento
c) Culto à natureza
d) Pessimismo
e) Objetivismo

19.CADERNOS NEGROS
Eu sou descendente de Zumbi
Zumbi é meu pai e meu guia
Me envia mensagens de orum
Meus dentes brilham na noite escura
Afiados como o agadá de Ogum
Eu sou descendente de Zumbi
Sou bravo valente sou nobre
Os gritos aflitos do negro
Os gritos aflitos do pobre
Os gritos aflitos de todos
Os povos sofridos do mundo
No meu peito desabrocham
Em força em revolta
Me empurram pra luta me comovem
Eu sou descendente de Zumbi
Zumbi é meu pai e meu guia
Eu trago quilombos e vozes bravias
dentro de mim
Eu trago os duros punhos cerrados
Cerrados como rochas
Floridos como jardins
CADERNOS NEGROS LINHAGEM ASSUMPÇÃO, C. de. Linhagem. In: QUILOMBHOJE (Org.). Cadernos Negros: os melhores poemas. São Paulo: Quilombhoje, 1998. p. 31.

Sobre o sujeito poético, nesse poema, é correto afirmar:
(01) Situa-se na esfera de um ser envolvido comum a religiosidade tradicional africana.
(02) Aparece como uma figura multifacetada, que tende a acentuar tanto a igualdade quanto a diferença entre ele e Zumbi.
(04) É fruto de um nascimento predestinado, que tem como objetivo de vida a preservação de sua individualidade.
(08) Herda uma condição adversa, mas tem consciência de que nasceu para alterar a ordem encontrada.
(16) Revela-se um ser ambivalente, que não permanece ligado ao tempo e ao espaço que lhe deram origem.
(32) Assume uma posição coletiva com ideal de pacificação social e imposição de uma crença mítica.
(64) Confessa que as suas características advêm de sua origem e dela resulta uma espécie de missão que ele tem de cumprir.

20. OUTRA NEGA FULÔ


O sinhô foi açoitar
a outra nega Fulô
- ou será que era a mesma?
A nega tirou a saia
a blusa e se pelou
O sinhô ficou tarado,
largou o relho e se engraçou.
A nega em vez de deitar
pegou um pau e sampou
nas guampas do sinhô.
- Essa nega Fulô!
Esta nossa Fulô!,
dizia intimamente satisfeito
o velho pai João
pra escândalo do bom Jorge de Lima,
seminegro e cristão.
E a mãe-preta chegou bem cretina
fingindo uma dor no coração.
- Fulô! Fulô! Ó Fulô!
A sinhá burra e besta perguntava
onde é que tava o sinhô
que o diabo lhe mandou.
- Ah, foi você que matou!
- É sim, fui eu que matou –
disse bem longe a Fulô
pro seu nego, que levou
ela pro mato, e com ele
aí sim ela deitou.
Essa nega Fulô!
Essa nega Fulô!


SILVEIRA, O. Outra nega fulo. Cadernos negros:
os melhores poemas. São Paulo: Quilombhoje, 1998. p. 109-110.

Com base no poema, é verdadeiro o que se afirma nas seguintes proposições:
(01) O título do poema contextualizado – Outra nega Fulô – conduz a uma leitura de que a relação senhor/escrava persiste nos mesmos moldes escravistas dos séculos passados.
(02) O verso 12 - “ Esta nossa Fulô ! “ – reiterado no final do poema, evidencia um sujeito-poético afro-brasileiro, com suas idéias e sentimentos .
(04) Os versos 13-14 e 17-18 apresentam, sob outra forma perspectiva, uma reconfiguração do caráter bondoso do “pai João” e da “mãe preta”, figuras presentes no imaginário brasileiro.
(08) O poema dialoga explicitamente com a conhecida obra ”Essa nega Fulô”, escrita pelo poeta Jorge de Lima .
(16) O uso de uma linguagem simples, informal, e a rejeição à gramática normativa constituem características da poética moderna presentes no texto.
(32) O poema reitera o estereótipo depreciativo da “Nega Fulô”, que se deita com o “sinhô”.
(64) A mulher negra, no poema, aparece como um objeto sexual do seu “sinhô”.



Gabarito – 1º Ano
Questões Respostas
11. Resposta letra: A
12. Resposta letra: C
13. Resposta letra: B
14. Resposta letra: C
15. Resposta letra: A
16. Resposta letra: C
17. Resposta letra: E
18. Resposta letra: E
19. Resposta letra: (01) + (08) + (64) = 73
20. Resposta letra: (02) + (04) + (08) + (16) = 30

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